#tbt – tempos de pandemia

As empresas de acrílicos em Portugal estão com rupturas de stock – NiT

(fonte NIT Oeiras – 19.6.2020)

A Acrilworld fica na zona de Algés, em Oeiras, e nunca em 12 anos de existência tinha uma procura tão elevada como nas últimas semanas. “Nunca tivemos tantos pedidos de materiais em acrílico em simultâneo, inclusive fora de portugal”, explica à NiT Paulo Silva, um dos responsáveis pela empresa. São vários os espaços que têm pedido divisórias, muitos deles restaurantes, o que levou a uma ruptura do stock da matéria prima.

“Fomos logo apanhados pela dificuldade na reposição rápida o que originou claramente a não possibilidade de servir a maioria dos pedidos que nos apareceram.” A maioria dos clientes da Acrilworld são da grande Lisboa, mas tiveram praticamente encomendas de todos os distritos e até das ilhas.

A matéria prima com que trabalham, a chapa acrílica, rapidamente esgotou no mercado. “Na Europa vem maioritariamente de Espanha e Itália, por azar, dois dos países muito afetados com a Covid-19. Também do Reino Unido, mas menos. Os prazos de entrega estão a ser muito maiores, quer para a própria distribuição, que não consegue repor rapidamente no distribuidor.”

Também Jocril, na zona da Amadora, recebeu um maior número de pedidos nos útimos meses. “Mais de barreiras para mesas, divisórias e barreiras de balcão”, explica à NiT Gonçalo Cardoso, um dos responsáveis pela empresa. Conseguir proteções para um restaurante médio com 50 a 60 lugares pode implicar um investimento entre 1500€ e 3000€.

“Nós estamos neste momento a desenvolver uns modelos mais económicos para que seja economicamente mais viável a implementação e compra destes equipamentos numa altura em que a restauração está com dificuldades de tesouraria devido à falta de clientes.”, continua. 

Na Mercantina há menos lugares a possibilidade de colocar acrílico.

A matéria prima ainda não faltou nesta empresa, mas por vezes o problema é o prazo dos clientes. “Infelizmente os clientes por vezes têm bastante urgência e querem os materiais no dia seguinte e por vezes isso é impossível contornar.”

Já a Moldacril, na zona de Ermesinde, sentiu uma maior procura desde os meses de abril. Esta empresa trabalha maioritariamente com espaços do norte do País. “Houve mais pedidos para a separação de mesas, balcões de atendimento e por vezes também nos WC´s”, diz à NiT Álvaro Nunes, da Moldacril. Conseguir a matéria prima tem sido outra das dificuldades encontradas.

Há restaurantes que os usam, mas outros não vão seguir o exemplo

Depois do fim da limitação da capacidade a 50 por cento, os restaurantes puderam voltar a ter a locação completa se colocassem este tipo de barreiras entre os clientes. Por exemplo em Lisboa, nos espaços do grupo Mercantina, existe a opção de colocar acrílicos se os clientes assim desejarem. “O que pretendemos é dar ao cliente todas as opções, que estejam ao nosso alcance, para que se sinta confortável e em segurança. Permite, se assim o entender, que por exemplo dois colegas de trabalho, que querem almoçar juntos, se sentem na mesma mesa com total segurança”, explicam à NiT os responsáveis pela Mercantina de Alvalade e Chiado e Bistro 37.

“A reação tem sido positiva. Os clientes sentem que têm mais uma opção que garante a sua segurança e mesmo no momento da reserva podem solicitar uma mesa com acrílico. Consideramos que dar opção de escolha neste momento é sempre o mais importante.”

Já nos espaços da Plateform, um dos maiores grupos de restauração do País, essa ainda não foi uma solução adotada. “Se o Governo e a DGS consideram uma solução que garante a segurança dos clientes e equipas não devemos excluir a opção de barreiras acrílicas entre mesas. Contudo, ainda não adotámos em nenhum restaurante. Cada restaurante tem as suas especificadas e os com dimensão mais reduzida são naturalmente os que mais sofrem com as regras de afastamento, ao contrário de espaços com maior lotação ou com esplanada”, explica André Xavier, diretor de comunicação do grupo.

Também nos espaços da McDonad’s mantém-se a limitação a 50 por cento. “A prioridade da McDonald’s é manter a limitação da capacidade máxima dos restaurantes definida para garantir a segurança de todos, quer ao nível da afluência, quer ao nível da restrição de lugares sentados, estando muitos interditos e intercalados”, refere fonte da empresa à NiT.


Comentários

Deixe um comentário